O que fazer quando a turma de catequese é muito agitada?
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O que fazer quando a turma de catequese é muito agitada?
Você preparou o encontro com carinho. Estudou a Palavra, separou o material, rezou. Mas, ao chegar na sala, o cenário é de caos: conversas altas, crianças correndo e uma sensação de que ninguém está ali para ouvir o que você tem a dizer. A frustração chega, e o desânimo bate à porta. Se essa descrição parece familiar, saiba de uma coisa: você não está sozinho(a).
Saber o que fazer quando a turma de catequese é muito agitada é um dos maiores desafios do catequista. Mas a boa notícia é que existem caminhos. Este guia não traz fórmulas mágicas, mas sim estratégias práticas, baseadas no amor e na pedagogia, para transformar a agitação em engajamento e a indisciplina em um ambiente de encontro com Deus.
Antes de tudo, respire fundo: você não está Sozinho(a)
O primeiro passo é desarmar o coração. Sentir-se cansado(a) ou até mesmo irritado(a) com a agitação da turma é uma reação humana. Não se culpe por isso.
A agitação é normal (até certo ponto)
Especialmente com crianças e pré-adolescentes, a energia é abundante. Ficar sentado e em silêncio por longos períodos é antinatural para eles. Parte da agitação é simplesmente a manifestação da vitalidade da idade. Entender isso nos ajuda a não levar para o lado pessoal.
Sua missão é ser semeador, não domador
Jesus, o Mestre dos mestres, lidou com multidões dispersas e discípulos agitados. Sua missão como catequista não é “domar” crianças, mas sim criar um terreno fértil onde a semente da Palavra possa crescer. E, às vezes, esse terreno precisa ser arado com paciência e criatividade.
Entendendo a raiz: por que a turma de catequese é tão agitada?
Antes de aplicar qualquer técnica, precisamos ser detetives e investigar as causas. A agitação raramente é gratuita. Geralmente, ela é um sintoma de algo mais profundo.
- Excesso de energia e necessidade de movimento: Crianças passam o dia na escola, muitas vezes sentadas. Elas chegam à catequese precisando se mover.
- Falta de clareza e rotina: Quando os catequizandos não sabem o que vai acontecer, como devem se comportar ou o que se espera deles, a ansiedade e a desordem aumentam.
- Conteúdo desconectado da realidade deles: Se a mensagem parece abstrata ou distante da vida deles, o tédio se instala, e a agitação se torna uma válvula de escape.
7 estratégias práticas para acalmar a turma e restaurar o foco

Com o diagnóstico em mente, vamos às ferramentas práticas. Implemente uma ou duas de cada vez e observe a transformação.
1. Comece antes do começo: o ambiente preparado
A organização da sala fala antes de você.
- Menos é mais: Remova excesso de estímulos visuais que possam distrair.
- Círculo é melhor: Sempre que possível, organize as cadeiras em círculo em vez de fileiras. Isso promove a interação e a sensação de comunidade.
- Música ambiente: Ter uma música católica instrumental suave tocando enquanto eles chegam ajuda a acalmar os ânimos e a criar um clima de oração.
2. A rotina é sua melhor amiga: crie uma estrutura visível
A previsibilidade gera segurança e calma.
- Crie um “roteiro visual” em uma cartolina ou lousa com as etapas do encontro: 1. Acolhida, 2. Oração, 3. Palavra, 4. Atividade, 5. Compromisso.
- Siga a rotina: Manter a mesma estrutura básica toda semana ajuda a turma a saber o que esperar, diminuindo a ansiedade e a agitação. Um bom roteiro de encontro de catequese é o primeiro passo para a ordem.
3. O acordo de paz: construa as regras de convivência com eles
Impor regras funciona menos do que construí-las em conjunto.
- No início do ano, pergunte: “Para que nosso encontro seja bom para todos, o que precisamos fazer?”.
- Anote as sugestões deles (ex: “Ouvir quando alguém fala”, “Respeitar o colega”, “Cuidar do material”).
- Transformem isso em um cartaz de “Nossos Combinados” e deixe-o visível em todos os encontros. Assim, as regras não são “suas”, mas “nossas”.
4. Canalize a energia: use dinâmicas de movimento
Se eles precisam se mover, use isso a favor da evangelização!
- Comece com agito: Inicie o encontro com uma música com gestos ou uma dinâmica de movimento rápida para gastar a energia inicial.
- Atividades ativas: Em vez de apenas falar, peça para eles encenarem a passagem bíblica, fazerem um desenho no chão ou procurarem objetos na sala que se relacionem com o tema.
5. O poder do sussurro: mude o tom de voz
Quando a turma está gritando, a nossa tendência é gritar mais alto. Faça o oposto.
- Fale mais baixo: Comece a falar em um tom de voz baixo, quase um sussurro. A curiosidade fará com que eles precisem ficar em silêncio para te ouvir.
- Use o silêncio: Faça pausas. O silêncio pode ser uma ferramenta poderosa para chamar a atenção.
6. Reforço positivo: elogie os comportamentos desejados
Nosso cérebro tende a focar no negativo. Inverta essa lógica.
- Seja específico: Em vez de dizer “parem de conversar”, diga: “João, muito obrigado por estar em silêncio e prestando atenção. Gosto de ver seu esforço.”
- Elogie o grupo: Quando conseguir um momento de silêncio, reconheça: “Parabéns, turma! Adorei como todos fizeram silêncio para a nossa oração.” O bom comportamento, quando notado, tende a se repetir.
7. Olho no olho: a conexão individual
Muitas vezes, a agitação é um pedido de atenção.
- Saiba o nome de todos: Chame cada um pelo seu nome.
- Crie conexões: Chegue um pouco mais cedo, converse sobre o futebol, sobre a prova na escola. Um catequizando que se sente visto e amado por você tem muito mais chances de respeitá-lo.
O que evitar: atitudes que pioram a agitação
- Gritar mais alto que eles: Só aumenta o nível de ruído e estresse, ensinando que vence quem grita mais.
- Fazer ameaças que não pode cumprir: “Se vocês não ficarem quietos, não terá mais encontro!” Isso mina sua autoridade com amor.
- Focar apenas em quem se comporta mal: Isso pode, sem querer, dar o palco que a criança agitada procura. A energia deve ser gasta elogiando quem está se esforçando.
Perguntas Frequentes de um Catequista em Apuros (FAQ)
E se apenas uma ou duas crianças são o foco da agitação?
Converse com elas em particular, não na frente da turma. Tente entender o que está acontecendo. Dê a elas “missões de confiança”, como ajudar a distribuir o material ou liderar a oração. Envolvê-las com responsabilidade pode mudar o foco do comportamento.
Como agir quando eles simplesmente não querem participar?
Não force. O respeito ao tempo de cada um também é catequese. Diga: “Tudo bem se não quiser participar agora, mas peço que fique em silêncio para não atrapalhar os colegas.” Muitas vezes, ao ver os outros se divertindo, o desinteressado acaba se juntando ao grupo.
É errado ser mais firme e impor disciplina na catequese?
Não é errado ter firmeza. Amor e limites caminham juntos. Ser firme significa manter as regras que foram combinadas, falar com seriedade quando necessário e mostrar que o ambiente da catequese é sagrado e merece respeito. Firmeza é diferente de autoritarismo ou raiva. É a segurança de um adulto que guia.
Conclusão: transformando o caos em encontro
Lidar com uma turma de catequese agitada é um teste à nossa paciência, criatividade e, acima de tudo, à nossa fé. Lembre-se que o seu papel é criar as melhores condições possíveis para que o encontro com Jesus aconteça.
Ao implementar estas estratégias, você perceberá que, aos poucos, o ambiente se transformará. A agitação dará lugar a uma energia participativa, e a indisciplina na catequese será substituída pelo respeito mútuo. Tenha paciência consigo mesmo(a) e com seus catequizandos. Você está fazendo um trabalho sagrado.

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