Qual a diferença entre beato venerável e santo?
Sumário
Qual a diferença entre beato venerável e santo? Um Guia Completo sobre a Jornada da Santidade
Você já ouviu os termos Servo de Deus, Venerável, Beato e Santo na Igreja Católica e se sentiu um pouco perdido? Não se preocupe, você não está sozinho. Nomes como o do Beato Carlo Acutis, da Venerável Irmã Lúcia ou de São João Paulo II são mencionados com frequência, mas entender a diferença entre beato, venerável e santo é fundamental para aprofundar nossa fé e compreender a riqueza da nossa tradição.
Muitos catequistas e fiéis buscam uma explicação clara sobre essa jornada de reconhecimento que a Igreja realiza. Este guia completo foi criado exatamente para isso: vamos desvendar, passo a passo, cada uma das etapas do processo de canonização, mostrando como a Igreja, com extremo cuidado e sabedoria, eleva seus filhos e filhas à honra dos altares.
A Comunhão dos Santos: Por que a Igreja reconhece e celebra os santos?
Antes de mergulharmos nas etapas técnicas, é essencial entender o “porquê”. A Igreja não “cria” santos. Deus é quem santifica. O que a Igreja faz, através do processo de canonização, é reconhecer publicamente que uma pessoa viveu uma vida de santidade exemplar, está na glória de Deus e pode servir como modelo e poderoso intercessor para nós aqui na Terra.
Os santos formam a “Igreja Triunfante” no Céu e, como parte da Comunhão dos Santos, eles não se esquecem de nós. Pelo contrário, eles intercedem por nós junto de Deus. Celebrá-los é celebrar a vitória de Cristo que age na vida daqueles que se abrem à Sua graça.
O processo de canonização: As 4 etapas fundamentais rumo aos altares
A jornada para ser declarado Santo é longa, meticulosa e dividida em fases bem definidas. Todo o processo é supervisionado em Roma pela Congregação para as Causas dos Santos. É um verdadeiro tribunal que investiga a vida, os escritos e os milagres atribuídos à intercessão do candidato.
Vamos conhecer agora cada um desses degraus.
Etapa 1: Servo de Deus – O Início da Jornada
Tudo começa após a morte do candidato. A fama de santidade que ele ou ela deixou em vida inspira os fiéis a pedirem sua intercessão e a relatarem graças alcançadas.
O que significa ser um Servo de Deus?
Servo de Deus é o título concedido a um fiel católico cuja causa de canonização foi oficialmente aberta pela Igreja. É o primeiro passo formal. A partir deste momento, a pessoa não pode mais ser chamada de “serva de Deus” no sentido genérico, mas recebe este título canônico oficial.
Como se inicia uma Causa de Canonização?
A causa não pode começar antes de cinco anos após a morte do candidato (embora o Papa possa dispensar esse tempo, como fez com São João Paulo II e Madre Teresa de Calcutá). O bispo da diocese onde a pessoa faleceu é o responsável por iniciar o processo, após ser solicitado por um grupo de fiéis (geralmente uma paróquia, congregação ou associação), que nomeia um postulador para guiar a causa.
A fase diocesana da investigação
Nesta fase inicial, o bispo reúne todos os escritos da pessoa (cartas, diários, livros) e recolhe testemunhos de pessoas que a conheceram. O objetivo é construir um dossiê completo que ateste uma vida de fé e virtudes. Se a investigação for positiva, toda a documentação é enviada para a Congregação para as Causas dos Santos, no Vaticano.
Etapa 2: Venerável – O Reconhecimento das Virtudes Heroicas
Quando o processo chega a Roma, ele é estudado por teólogos e historiadores. Se eles concluírem que o Servo de Deus viveu as virtudes teologais (Fé, Esperança e Caridade) e as virtudes cardeais (Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança) em um grau heroico, a jornada avança.
O que são as “virtudes heroicas”?
Viver as virtudes de forma heroica significa que a pessoa praticou essas virtudes de maneira constante, pronta e com alegria, superando a média comum, por amor a Deus e ao próximo. Não se trata de ser perfeito ou de nunca ter pecado, mas de uma luta constante e extraordinária pela santidade.
O papel crucial do “Positio”
O postulador da causa, com base em toda a documentação, prepara um documento volumoso chamado “Positio”. Este é o resumo oficial da vida, virtudes e fama de santidade do candidato. É este documento que será avaliado pelos cardeais e bispos membros da Congregação.
O decreto do Papa e a transição para Venerável
Se a avaliação do “Positio” for favorável, o Prefeito da Congregação apresenta o caso ao Papa. É o Santo Padre quem autoriza a publicação do decreto que reconhece as virtudes heroicas. Com este decreto, o Servo de Deus recebe o título de Venerável.
- Um Venerável é alguém cuja vida foi um modelo de santidade. A Igreja o reconhece como exemplar, mas ainda não permite o culto público (missas em sua honra, por exemplo). A veneração, neste ponto, é privada.
Etapa 3: Beato – O Primeiro Brilho da Glória dos Altares
Este é um dos passos mais conhecidos do processo, pois envolve a comprovação de um milagre.
A exigência do milagre: O selo divino
Para que um Venerável seja declarado Beato, a Igreja exige a comprovação de um milagre ocorrido por sua intercessão após a sua morte. O milagre é visto como uma confirmação de Deus de que a pessoa está no Céu e que suas preces são ouvidas.
- Exceção: No caso dos mártires, que deram a vida por Cristo, o milagre não é exigido para a beatificação. O martírio em si é considerado o ato supremo de identificação com o sacrifício de Jesus.
Como a Igreja investiga e aprova um milagre?
A grande maioria dos milagres estudados são curas. O processo é extremamente rigoroso:
- Investigação Diocesana: O bispo da diocese onde o milagre ocorreu investiga o caso.
- Análise Médica: O caso é enviado a uma comissão de médicos e especialistas em Roma que devem concluir que a cura foi instantânea, completa, duradoura e cientificamente inexplicável.
- Análise Teológica: Se a ciência não pode explicar, teólogos analisam se a cura pode ser atribuída inequivocamente à intercessão do Venerável.
- Aprovação Papal: Com todos os pareceres favoráveis, o Papa aprova o decreto sobre o milagre.
O que muda com a beatificação? (Culto público restrito)
Com o milagre aprovado, o Papa marca a cerimônia de Beatificação. A partir deste momento:
- O Venerável passa a ser chamado de Beato.
- É permitido o culto público em sua honra, mas de forma restrita. Geralmente, a veneração é permitida na diocese de origem do beato, em sua congregação religiosa ou em locais específicos autorizados.
- É definido um dia no calendário litúrgico para sua festa.
Etapa 4: Santo – A Canonização e a Veneração Universal
O último passo na jornada é a canonização, que eleva o Beato à glória dos altares para toda a Igreja.
O segundo milagre: A confirmação final
Para a canonização, é necessário um segundo milagre. Este deve ter ocorrido após a beatificação. O processo de investigação é exatamente o mesmo, rigoroso e detalhado, que foi feito para o primeiro milagre.
A cerimônia de Canonização
Com a aprovação do segundo milagre pelo Papa, é marcada a solene Cerimônia de Canonização, geralmente realizada na Praça de São Pedro, em Roma. Neste ato, o Papa, usando sua autoridade infalível, declara que a pessoa está no Céu.
O que significa ser um Santo para toda a Igreja?
Um Santo (ou Santa) é um modelo para todos os católicos do mundo. Com a canonização:
- O nome do santo é inscrito no cânon (lista oficial dos santos).
- O culto público é estendido a toda a Igreja Universal.
- Igrejas e altares podem ser dedicados em sua honra em qualquer lugar do mundo.
Tabela Comparativa: Venerável vs. Beato vs. Santo de Forma Rápida
Para facilitar a compreensão, aqui está um resumo das principais diferenças:
| Título | Reconhecimento da Igreja | Milagres Exigidos | Tipo de Culto | Abrangência |
| Venerável | Viveu as virtudes de forma heroica. | Nenhum | Apenas privado | Nenhuma |
| Beato | Está no Céu e intercede por nós. | 1 (exceto mártires) | Público | Restrito (local) |
| Santo | Está no Céu (declaração infalível). | 2 (1 para mártires) | Público | Universal |

Perguntas Frequentes (FAQ) sobre o Caminho da Santidade
Quanto tempo demora um processo de canonização?
Não há um tempo fixo. Alguns processos são rápidos, como o de São João Paulo II (9 anos), enquanto outros podem levar séculos. A complexidade da investigação e a necessidade de comprovar milagres influenciam muito a duração.
Mártires precisam de milagres para serem beatificados?
Não. Como mencionado, o martírio (morrer por ódio à fé) é considerado o testemunho supremo. Eles precisam de um milagre apenas para a canonização (passar de Beato a Santo).
Um leigo pode se tornar santo?
Com certeza! A santidade é um chamado para todos os batizados, não apenas para padres, freiras ou religiosos. Existem muitos santos leigos, casados, jovens e de todas as profissões, como São Tomás More (advogado e pai de família) e Santa Gianna Beretta Molla (médica e mãe). O Beato Carlo Acutis é um exemplo recentíssimo de um jovem leigo no caminho dos altares.
Qual a diferença entre culto e adoração?
Esta é uma distinção crucial. A adoração (latria) é devida somente a Deus (Pai, Filho e Espírito Santo). O culto (dulia) prestado aos santos é de veneração e honra. Nós os veneramos como heróis da fé e pedimos sua intercessão, mas não os adoramos. A Virgem Maria recebe um culto especial, superior ao dos outros santos, chamado de hiperdulia.
Conclusão: Um chamado Universal à Santidade
Entender a diferença entre Servo de Deus, Venerável, Beato e Santo é mais do que aprender termos da Igreja; é contemplar a ação de Deus na história e na vida de pessoas comuns que responderam ao seu amor de forma extraordinária. Cada etapa do processo de canonização revela o cuidado da Igreja em apresentar-nos modelos autênticos e intercessores poderosos.
A maior lição que eles nos deixam é que a santidade não é para um grupo seleto de pessoas, mas um chamado para todos nós. Como ensina o Concílio Vaticano II, todos somos chamados à santidade. Que o exemplo desses heróis da fé inspire sua própria jornada.
Gostou deste guia? Qual história de santo ou beato mais toca o seu coração? Compartilhe nos comentários abaixo!

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