O que os números 3 12 e 70 significam nas Escrituras
Sumário
O que os números 3 12 e 70 significam nas Escrituras
Você já notou, ao ler as Sagradas Escrituras ou participar da Santa Missa, como certos números se repetem de forma insistente? Três dias, doze apóstolos, setenta discípulos. Seriam meras coincidências ou há um significado mais profundo escondido nesses algarismos? A resposta, para a alegria da nossa fé, é que nada na Bíblia é por acaso.
Se você busca entender o que os números 3, 12 e 70 significam nas Escrituras, você chegou ao lugar certo. Longe de ser um jogo de adivinhação, o simbolismo numérico na Bíblia é uma linguagem rica, usada por Deus para nos revelar verdades sobre Si mesmo, sobre Seu plano de salvação e sobre a estrutura da Sua Igreja.
Neste guia completo, vamos mergulhar juntos na sabedoria dos Padres da Igreja e na riqueza da Tradição para desvendar, de forma clara e fiel à doutrina católica, o significado por trás desses números sagrados. Prepare-se para enriquecer sua leitura bíblica e sua fé.
Antes de começar: simbolismo não é superstição
É fundamental fazer uma distinção clara desde o início. O que faremos aqui é um estudo de simbologia bíblica, não de numerologia esotérica ou supersticiosa. A fé católica não apoia a ideia de que números, por si sós, têm poder ou determinam o futuro.
A diferença entre Simbologia Bíblica e Numerologia
- Numerologia: É uma prática de adivinhação que atribui poderes místicos e ocultos aos números, tentando prever o destino. A Igreja condena essa prática, como nos ensina o Catecismo da Igreja Católica (CIC 2116).
- Simbologia Bíblica: É o reconhecimento de que os autores sagrados, inspirados pelo Espírito Santo, usaram números com um valor qualitativo e simbólico, não apenas quantitativo. Os números ajudam a transmitir uma ideia teológica, uma verdade de fé.
Entender esse simbolismo nos permite ler a Bíblia com os olhos dos primeiros cristãos, captando camadas de significado que, de outra forma, passariam despercebidas.
O número 3: o selo da perfeição divina e da Santíssima Trindade
O número três é, talvez, o mais importante e onipresente em toda a Escritura. Ele representa a perfeição, a totalidade e, acima de tudo, a realidade divina. Sua principal associação é com a Santíssima Trindade: um só Deus em três Pessoas distintas – Pai, Filho e Espírito Santo.
Este número ecoa a própria natureza de Deus. Tudo o que é triplo na Bíblia aponta para uma plenitude e uma ação divina completa.

O 3 no Antigo Testamento: ritmo e Presença Divina
Mesmo antes da revelação explícita da Trindade, o número três já marcava a presença e a ação de Deus:
- Os três visitantes de Abraão: Em Gênesis 18, três homens aparecem a Abraão junto ao Carvalho de Mambré. A tradição da Igreja sempre viu nesta passagem uma prefiguração da Santíssima Trindade.
- A tríplice bênção sacerdotal: Em Números 6, 24-26, Deus instrui Moisés sobre como os sacerdotes devem abençoar o povo, numa fórmula tripla: “O Senhor te abençoe…”, “O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face…”, “O Senhor volte para ti a sua face…”.
- Jonas e o grande peixe: Jonas passou três dias e três noites no ventre do peixe (Jonas 2,1), uma clara prefiguração da morte e ressurreição de Cristo.
O 3 no Novo Testamento: a plenitude em Cristo
No Novo Testamento, o simbolismo do número três atinge seu ápice na pessoa de Jesus Cristo:
- A Ressurreição: Jesus ressuscitou ao terceiro dia (1 Coríntios 15,4), cumprindo as Escrituras e selando a vitória definitiva sobre a morte. Este é o coração da nossa fé.
- As negações de Pedro: Pedro nega Jesus três vezes antes que o galo cante (Lucas 22,61), mostrando a totalidade de sua queda.
- A confirmação de Pedro: Após a Ressurreição, Jesus pergunta a Pedro três vezes se ele O ama (João 21,15-17), restaurando-o em sua missão e curando a ferida da tríplice negação.
- As virtudes teologais: A base da vida cristã se apoia em três pilares: a Fé, a Esperança e a Caridade (1 Coríntios 13,13).
O número três, portanto, é a assinatura de Deus na história da salvação.
O número 12: o símbolo do Povo de Deus e da estrutura da Igreja
Se o número três fala da perfeição de Deus, o número doze fala da eleição e da organização do Povo de Deus. Representa a totalidade do povo escolhido e a fundação sobre a qual Deus edifica sua aliança. Onde quer que o número doze apareça, ele aponta para a estrutura governamental e espiritual do reino de Deus na Terra.
As 12 Tribos de Israel: A fundação no Antigo Testamento
A primeira grande manifestação deste símbolo está nos doze filhos de Jacó, que deram origem às Doze Tribos de Israel (Gênesis 49). Este número não era apenas uma contagem, mas o próprio símbolo da identidade de Israel como nação escolhida por Deus.
Toda a organização do povo no Antigo Testamento girava em torno deste número, representando a totalidade e a plenitude da primeira aliança.
Os 12 Apóstolos: As colunas da Nova Aliança
Jesus, ao iniciar seu ministério público, não escolheu um número aleatório de seguidores íntimos. Ele escolheu deliberadamente doze apóstolos (Marcos 3,13-19). Com este ato, Ele estava declarando que estava fundando o Novo Israel, a Igreja.
- Continuidade e Superação: A escolha de doze mostra que a Igreja não é uma ruptura total, mas o cumprimento das promessas feitas ao antigo Israel.
- As Fundações da Igreja: Os apóstolos são as “doze colunas” sobre as quais a Igreja é construída, com Cristo sendo a pedra angular. No livro do Apocalipse, a Nova Jerusalém tem doze portas e doze alicerces com os nomes dos doze apóstolos (Apocalipse 21,12-14).
O número doze, portanto, simboliza a autoridade apostólica e a estrutura visível da Igreja, que continua a missão de Cristo no mundo.
O número 70: A universalidade da missão evangelizadora
O número setenta (ou seu múltiplo, sete) na Bíblia está frequentemente associado à totalidade das nações e à missão universal da Igreja. Enquanto o doze aponta para a estrutura dentro do Povo de Deus, o setenta aponta para a missão para fora, para o mundo inteiro.
Este número é uma combinação de dois outros números simbólicos:
- 7: O número da perfeição e da aliança (sete dias da criação, sete sacramentos).
- 10: O número da totalidade humana (dez mandamentos).
Setenta (7 x 10) simboliza, assim, a perfeita missão de alcançar toda a humanidade.
Os 70 anciãos de Israel: liderança e sabedoria
Em Números 11,16-25, Deus instrui Moisés a reunir setenta anciãos de Israel para ajudá-lo a governar o povo. O Espírito de Deus repousa sobre eles, capacitando-os para a liderança. Este grupo, conhecido como Sinédrio nos tempos de Jesus, representava a totalidade da liderança civil e religiosa de Israel.
Os 70 (ou 72) discípulos: A missão que alcança todas as nações
O uso mais significativo deste número está no Evangelho de Lucas (Lucas 10,1-12). Jesus envia não apenas os Doze, mas um grupo maior de setenta (ou setenta e dois, em alguns manuscritos) discípulos, de dois em dois, à sua frente.
Por que esse número? A tradição judaica, baseada na “tabela das nações” de Gênesis 10, contava que o mundo era composto por setenta nações. Ao enviar setenta discípulos, Jesus estava sinalizando que a Boa Nova não era apenas para Israel (representado pelos doze), mas para o mundo inteiro.
Este ato de Jesus é uma poderosa declaração da catolicidade (universalidade) da Igreja. A missão não é restrita, mas expansiva, destinada a alcançar cada povo, língua e nação.
Como esses números se conectam em nossa fé hoje?
Estes números não são relíquias do passado. Eles continuam a nos ensinar hoje:
- O três nos lembra de viver uma vida trinitária, em comunhão com o Pai, pelo Filho, no Espírito Santo.
- O doze nos recorda que pertencemos a uma Igreja apostólica, com uma estrutura e uma sucessão que remontam ao próprio Cristo.
- O setenta nos desafia a viver nossa vocação batismal, sendo discípulos missionários que levam o Evangelho a todos os cantos do mundo, começando em nossa própria casa e comunidade.
Perguntas Frequentes sobre a Simbologia dos Números
A Igreja Católica aprova o estudo dos símbolos numéricos?
Sim. Desde que seja feito dentro dos limites da fé e da teologia, como um estudo do simbolismo bíblico, e não como uma prática supersticiosa de numerologia. Grandes santos e doutores da Igreja, como Santo Agostinho, dedicaram-se a entender esses significados.
Existem outros números importantes na Bíblia?
Sim, muitos! O número sete (perfeição, aliança), o número quarenta (preparação, provação – como os 40 dias no deserto) e o número um (unicidade de Deus) são apenas alguns exemplos.
Como posso usar esse conhecimento na catequese?
Use-o para tornar as histórias bíblicas mais vivas! Ao falar da criação, destaque os sete dias. Ao ensinar sobre a Igreja, explique por que Jesus escolheu doze apóstolos. Ao falar de missão, mencione os setenta discípulos. Isso ajuda as crianças e os adultos a verem a incrível coerência do plano de Deus.
Conclusão: mais que algarismos, sinais do Amor de Deus
Ao explorarmos o que os números 3, 12 e 70 significam nas Escrituras, descobrimos uma verdade maravilhosa: nosso Deus é um Deus de ordem, de propósito e de beleza. Ele usa cada detalhe, até mesmo os números, para nos comunicar Seu amor e Seu plano de salvação.
Da perfeição da Santíssima Trindade (3), passando pela fundação sólida da Igreja sobre os Apóstolos (12), até o chamado universal à missão (70), vemos um plano divino que se desenrola de Gênesis a Apocalipse. Que este conhecimento não seja apenas uma curiosidade intelectual, mas um convite a amar mais profundamente a Palavra de Deus e a Igreja que Ele nos deu.
Gostou deste estudo? Qual outro símbolo ou número bíblico desperta sua curiosidade? Deixe seu comentário abaixo e vamos continuar essa conversa!

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